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Palestra de Hector Zamora no Ciclo de Conferências de Arte Pública impressiona pelo olhar crítico sobre as cidades

O Ciclo de Conferências de Arte Pública na 7ª Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo ganha a cada dia novos discussões. Hector Zamora, artista plástico mexicano, falou nesta quarta, 21 de novembro, sobre “Intervenções no espaço público”. Trouxe uma visão crítica, diferenciada pela pesquisa incansável dos temas em que se debruça, o que dá uma característica preponderante em seu trabalho: a multidisciplinaridade. Designer gráfico e especialista em projetos de estruturas leves, Zamora ganhou repercussão durante a Bienal de Artes de 2006, quando seu projeto para o lago do Parque do Ibirapuera foi vetado pela Prefeitura de São Paulo. O projeto previa a instalação de figuras geométricas no lago constituídas por uma espécie de flor com função dúbia: ela tanto poderia limpar as águas de um lago, quanto matá-lo pela proliferação excessiva de suas folhas. As folhagens flutuariam sobre as águas do Ibirapuera sobre tubos de PVC.

No total, as figuras geométricas continham 2 toneladas de terra e vegetação. A Secretaria do Meio Ambiente vetou o trabalho, que integrava a Bienal, por classificá-la como perigosa, pois poderia “naufragar” e contaminar o lago com as plantas predatórias. O artista nega, afirmando que o projeto era totalmente organizado e “tinha conexão com o espaço e o seu lugar”. Além desse trabalho, Zamora falou também sobre uma intervenção realizada na Colômbia, durante sua participação na Bienal de Artes daquele país. O museu, local onde acontecia o evento, fica em uma região de prostituição. O trabalho de Zamora concentrou-se em integrar o museu à sua região, criando um bar, localizado entre a parte externa e o escritório do museu. As prostitutas ajudaram a decorar o bar que, depois, foi desmontado, por não ser uma obra perene. “Fiquei sabendo que as prostitutas se juntaram e formaram uma espécie de associação depois do acontecimento deste projeto, que recebeu a visita até do presidente da Colômbia”, comemora o artista. A moderadora Fanny Feigenson, do curso de design da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo do Mackenzie, afirmou que “o trabalho de Zamora é extremamente crítico e não aponta soluções, mas abre as feridas e ajuda a refletir”, afirma. Nesta quinta-feira é a vez de Arthur Lara falar sobre “O grafite na década de 80 e os desdobramentos daquela produção”. Lara, que une arte-comunicação-literatura, participou ativamente desta geração, que modificou o cenário de São Paulo com grafites urbanos figurativos.