Produção arquitetônica nacional reflete a diversidade e complexidade da cultura brasileira
Com atuações relevantes ao debate sobre “O Público e o Privado”,
arquitetos de vários estados do País mostram os traços da nossa arquitetura
Em um país caracterizado pela miscigenação e pelas dimensões continentais, como o Brasil, era de se esperar que a arquitetura refletisse a ampla riqueza cultural existente. Isso de fato acontece, como poderá ser visto pelo visitante da 7ª Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo (7ª BIA), principal evento de arquitetura da América Latina, que acontece de 10 de novembro a 16 de dezembro.
Representando as regiões em que atua o Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) - organizador da 7ª BIA junto com a Fundação Bienal - convidou um grupo de arquitetos para revelar suas trajetórias profissionais e suas contribuições no campo da arquitetura e do urbanismo.
São eles: Cesar Dorfman, Rio Grande do Sul; Rubens Meister, Paraná; Roberto Simon, Santa Catarina; Roberto Loeb e Paulo Bruna, São Paulo; Equipe Aníbal Coutinho, Antônio Paulo Cordeiro e Lourenço Diegues Filho, Rio de Janeiro; Gustavo Penna, Minas Gerais; Paulo Henrique Paranhos, Distrito Federal; José Afonso Botura Portocarrero, Mato Grosso; Equipe Francisco e José Nasser Hissa, Ceará; José Goiana Leal, Pernambuco; e Milton Monte, Pará.
Por meio da exibição de painéis, desenhos e maquetes será possível apreciar as particularidades da linguagem adotada por cada um desses profissionais consagrados, assim como as similaridades regionais.
Além disso, o público da 7ª BIA poderá identificar um traço em comum entre os trabalhos desses arquitetos: a preocupação constante com a qualidade do espaço construído que, muitas vezes, ultrapassa os limites do terreno trabalhado.
Saiba mais sobre os arquitetos brasileiros convidados para a 7ª Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo:
Cesar Dorfman (RS) – Aproveitando o tema proposto pela organização da Bienal – “O Público e o Privado” - o arquiteto, que também é professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS), apresentará trabalhos como a remodelação do Complexo de Desporto e Lazer da Unisinos, cujo objetivo era trazer a comunidade para dentro do espaço da universidade. Também serão destaques da exposição o Plano Erechim 100, um projeto de requalificação da cidade localizada no norte do Estado, e o Pólo de Cultura do Norte e do Nordeste do Rio Grande do Sul.
Roberto Simon (SC) - Diretor-geral do escritório Studio Domo, em Florianópolis, Simon apresentará uma retrospectiva de seus mais de 25 anos de atividade, marcada pelo desenho contemporâneo e elegante. Entre os trabalhos que serão apresentados, destacam-se o Edifício Residencial Vila Ramos, a Indústria Farmacêutica Milian, o Pólo da Saúde Pedra Branca, a Loja Guga Kuerten, além das residências Osni Regis, Lauro Zimmer e Joyce Leitão.
Rubens Meister (PR) - Um dos precursores da arquitetura moderna no Paraná, Rubens Meister também contará com um espaço para exibição de seus projetos mais importantes. Destaque para o atual Teatro Guairá (1952), o Edifício Barão do Rio Branco (1958), a Prefeitura Municipal de Curitiba (1969), a Estação Rodoferroviária (1976), o Centro de Atividades do SESC da Esquina (1985) e a restauração do Palácio Avenida (1990), todos na capital paranaense.
Paulo Bruna (SP) - O arquiteto paulista que foi sócio de Rino Levi levará para a Bienal uma mostra concisa, porém representativa de sua arquitetura reconhecida pela racionalização de recursos, pelo emprego freqüente de sistemas construtivos industrializados e pela preocupação com o conforto ambiental.
Ao todo serão três obras construídas e três projetos elaborados para concursos recentes. Os trabalhos do arquiteto, que também é professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP, serão apresentados por meio de painéis com fotos, perspectivas, plantas, cortes e elevações, além de maquetes físicas.
Roberto Loeb (SP) – Para seu espaço na 7ª BIA, o arquiteto paulista projetou uma mesa central de 6 m x 1,20 m, uma réplica das mesas que mantém em seu escritório. Sobre ela, além de maquetes, diversos projetos desenvolvidos por Loeb e sua equipe estarão disponíveis para consulta. O visitante poderá sentar em uma das dez cadeiras dispostas ao redor da mesa e folhear plantas, detalhes, textos e ilustrações de cada projeto. Complementam a exposição painéis laterais com fotos de diversas obras realizadas e em andamento, além de desenhos de concursos e projetos conceituais.
Entre as obras exibidas estão a sede da Natura, em Cajamar (SP), o Centro da Cultura Judaica, na capital paulista, o Centro Cultural Santander, em Porto Alegre (RS) e o projeto da Oficina Boracéa - um galpão hospedaria localizado na Barra Funda, que busca dar mais dignidade aos catadores de rua e pessoas em situação de risco.
Coutinho, Diegues, Cordeiro (RJ) – Com um traço com fortes influências da arquitetura carioca dos anos 1950, os arquitetos Aníbal Coutinho, Antônio Paulo Cordeiro e Lourenço Diegues Filho optaram por levar à Bienal apenas projetos que estão em andamento.
Serão 20 trabalhos exibidos em painéis fotográficos e uma grande maquete. Entre os projetos há shoppings, museus, centro de convenções e três estádios de futebol, dois deles encomendados para a Copa 2014, em Salvador (BA) e Recife (PE).
Gustavo Penna (MG) – Inventividade, coloquialismo e humanismo são termos aplicáveis à arquitetura proposta pelo mineiro Gustavo Penna. O arquiteto, que tem a dimensão poética como principal referência, vai apresentar na 7ª BIA uma retrospectiva com obras que refletem as crenças e conceitos que permeiam sua produção.
Para Penna, a arquitetura é algo tão essencial ao homem - afinal, todos buscam sempre um lugar para estar - que deveria ser encarada com mais simplicidade. Também, por isso, para conferir maior informalidade à sua mostra, o arquiteto exibirá seus trabalhos em uma tela de plasma, que permitirá mais do que a contemplação, a percepção de todo o processo de criação.
Paulo Henrique Paranhos (DF) - Painéis fotográficos, maquetes em escalas diversas, além de modelos volumétricos e desenhos serão as ferramentas utilizadas pelo arquiteto Paulo Henrique Paranhos para evidenciar seu “fazer arquitetônico”.
Entre os projetos que deverão ser exibidos estão a Catedral de Palmas (TO), o Estádio Nilton Santos, em Brasília, o Mercado Municipal de Blumenau (SC), o Mosteiro de São Bento, em Brasília, além de uma série de residências unifamiliares na capital federal.
José Afonso Botura Portocarrero (MT) - Há anos dedicando-se à pesquisa sobre as habitações indígenas, o arquiteto mato-grossense defende maior reconhecimento e valorização desse tipo de arquitetura, onde são constantes pés-direitos altos, espaços comunitários, cortes ogivais ou arredondados e plantas livres.
Os estudos de Portocarrero estão refletidos em seus principais projetos executados, como o Campus Universitário do Médio Araguaia, no Pontal do Araguaia, e o Centro de Estudos e Pesquisas do Pantanal da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT). Esses e outros trabalhos com forte influência indígena serão exibidos na 7ª BIA no espaço dedicado às obras do arquiteto, que também é docente da UFMT e coordena o Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Tecnologia Indígena (Tecnoíndia).
Nasser Hissa (CE) – O escritório dos arquitetos Francisco e José Nasser Hissa é um dos mais solicitados no nordeste brasileiro e parte dessa produção será exibida durante a 7ª BIA. As obras – em especial, edifícios institucionais, educacionais, residenciais e comerciais – se caracterizam pelas formas contemporâneas, claras e sofisticadas, assim como pelo rigor à funcionalidade e ao conforto. O visitante da mostra dos arquitetos cearenses deve ficar atento à sede da fábrica de aguardentes Ypióca e à Faculdade 7 de Setembro, ambos em Fortaleza, entre outras obras.
José Goiana Leal (PE) – Um dos principais representantes da escola pernambucana de arquitetura da atualidade, Goiana Leal é responsável por uma série de projetos no Nordeste brasileiro, sobretudo hotéis e resorts. Destaque para o complexo hoteleiro Beach Class Resort, em Ipojuca, no litoral pernambucano, que deverá ser exposto na 7ª BIA. Nesse trabalho, o arquiteto buscou conferir conforto e privacidade aos espaços íntimos, mas sem abrir mão da integração com as áreas de lazer e, principalmente, com a paisagem exuberante local.
Milton Monte (PA) - Em todos os seus trabalhos, Milton Monte se dedicou à concepção de uma arquitetura que tivesse relação com o meio ambiente, com o clima, cultura e economia locais. Tal preocupação culminou na criação de um estilo tipicamente amazônico de construir ambientes modernos, inspirado na moradia dos índios, que se apropria de materiais e técnicas locais para garantir conforto ao usuário. Foi assim que Monte criou os beirais quebrados inspirados na arquitetura das ocas indígenas.
Entre seus trabalhos mais emblemáticos estão residências erguidas com palafitas e madeira local e o Interpass Clube, em Mosqueiro, Belém (PA), cuja edificação faz alusão à forma de um pássaro às margens de um rio.
Informações p/imprensa:
Ateliê de Textos com Alzira Hisgail, Jaqueline Motta, Lau Francisco e Nádia Moragas
Telefax: (11) 3675.0809 e-mail: atelie@ateliedetextos.com.br
www.ateliedetextos.com.br
Outubro/07
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